10 coisas que aprendemos conversando sobre Tecnologias Antivirais para Moda

10 coisas que aprendemos conversando sobre Tecnologias Antivirais para Moda

Escrito por Criável

Reunimos quatro experts nesse assunto para falar sobre essa demanda urgente para a nossa indústria

Como a Moda pode colaborar no combate ao novo Coronavírus? Acertou quem respondeu tecnologia. Na verdade, são muitas as formas, mas com certeza é na criação, desenvolvimento e validação de produtos têxteis eficazes no bloqueio do Covid-19 que possivelmente poderemos oferecer um maior efeito.

Mas e aí, essas tecnologias já existem mesmo? São acessíveis? Já foram testadas? Quais as soluções e desafios de quem trabalha todos os dias para isso?

Pensando em todas essas dúvidas – e, como uma boa equipe de humanas, querendo saber mais! – convidamos para conversar quatro referências no tema: Luisa Mendes, nossa pesquisadora de tecnologia têxtil e doutoranda na área + Vinicius Fagundes, que há 6 anos trabalha na multinacional CHT + Renan Serrano, empreendedor por trás da Visto Bio + Fabricio Maestá, engenheiro especialista do Núcleo de Inovação Industrial da UTFPR.

Esse post, então, é uma espécie de resumo de tudo o que rolou nesse papo super esclarecedor – que você já pode assistir clicando aqui para a parte I e aqui para a parte II.

#1 Os têxteis de proteção já existem há muito tempo

E já oferecem propriedades antibacterianas, antifúngicas, antimicrobianas e antivirais, especialmente para quem trabalha em áreas que precisam de uma proteção extra – como médicos ou algumas profissões de risco. O que muda é que, agora, ficou muito claro que a população como um todo também precisa dessas tecnologias!

#2 Em geral, um produto antiviral não atinge todos os tipos de vírus do universo

Por isso é muuuito importante delimitar a atuação de cada produto, e assim, comprovar a sua eficácia. Mas e aí, já temos tecnologias testadas para o Covid-19?

#3 Em sua maioria, não.

Vinicius Fagundes da CHT e Fabricio Maestá do NII contam que ainda, infelizmente, não conseguiram testar seus produtos no vírus específico do Covid-19 – já que o foco da pesquisa científica tem sido em testar diagnósticos, vacinas e medicamentos. 

Já Renan Serrano da Visto Bio, sim, e inclusive garante que a empresa abrirá uma chamada pública muito em breve para que outros projetos também possam testar suas tecnologias. O que evidencia duas questões importantes: 

1. Se não foi testado com o vírus “certo”, quer dizer que não funciona? 

2. Empresas e organizações do setor que detém diferentes conhecimentos, nesse momento, serão parceiras ou concorrentes?

Bom, vamos lá.

#4 A falta de um teste final com o Covid-19 não invalida as pesquisas e iniciativas desenvolvidas até agora

Isso porque essas tecnologias já foram testadas com diversos microrganismos, entre outros tipos de vírus com estruturas semelhantes a do novo Coronavírus. Ou seja, temos boas chances de, muito em breve, receber boas notícias. 

#5 Mais do que nunca, precisamos unir forças e agir de forma colaborativa

Manter uma equipe de desenvolvimento em que todos são PHDs + a estrutura de um laboratório seguro para fazer testes dessa complexidade, como é o caso da Visto Bio, faz com que o custo do produto final seja muito alto – e assim, pouquíssimo acessível. Por isso, é super importante que diferentes empresas e instituições se unam para tornar essa tecnologia um bem comum, que não fique, como de costume, limitado à uma parcela muito pequena e privilegiada da sociedade.

Além disso, como foi muito comentado durante a live, esse nos parece o momento certo para “abrir o conhecimento” e, inclusive, criar fórmulas “open-source” que possam ser democratizadas para solucionar da forma mais ampla possível uma crise de saúde pública sem precedentes. 

Em outras palavras, não existem mais concorrentes, e sim parceiros, viu? 😉

#6 Há diferentes tipos de tecnologias sendo pesquisadas e desenvolvidas

A Visto Bio, por exemplo, fixa os ativos dos óleos essenciais em tecidos. Já a CHT, usa a prata como um bloqueio eletrostático que impede a atuação do vírus. Enquanto o NII está estudando e testando linhas alternativas mais baratas que possam ter como fonte recursos naturais ou reciclados; além de combinar diferentes tecnologias.

#7 Designers de Moda são muito importantes nesse processo 

Sim, esse também é um assunto com o qual nós, de humanas, precisamos nos envolver! Segundo o Fabricio, essa integração entre cientistas, engenheiros e designers é fundamental, pois a pesquisa tem uma limitação criativa que só quem trabalha diretamente com o público – e conhece seus comportamentos e desejos – pode solucionar, transformando cada tecnologia em algo palpável; além de garantir que todas as informações de uso, lavagem e cuidado cheguem ao público final. E falando nisso…

#8 Transparência e consciência são palavras-chave

Para que o consumidor seja capaz de entender até que ponto está protegido, e então fazer suas escolhas, a comunicação precisa ser transparente. Até para que mais pessoas possam compreender o que está por trás dessas tecnologias e se educar sobre os mecanismos de contágio relacionados ao Corona ou outros microorganismos. Não dá pra pensar só em vender. Chegou a hora da gente pensar em servir.

#9 Empresários de Moda podem ter participação ativa

Bora entrar em contato com empresas e organizações investidas em encontrar soluções seguras? Só no NII há 3 grupos de pesquisa trabalhando diretamente com empresas, demonstrando que criar relações entre universidade e indústria na busca por inovação não é apenas possível, mas super necessário. Essa história de que a pesquisa universitária é muito acadêmica e tem como único objetivo a publicação é um grande mito! E é com o envolvimento de marcas, negócios, empresários, etc, que esses pesquisadores serão capazes de oferecer melhorias reais para a sociedade, de fácil aplicabilidade. O que nos obriga a lembrar que…

#10 A pesquisa científica é muito importante para o nosso país

A gente não pode fomentar uma descrença geral na Universidade. Pelo contrário, precisamos apoiar esses espaços, pois são eles, muitas vezes, que fazem chegar ao interior do Brasil – como no caso de Apucarana, no Paraná, onde fica o NII – produtos e equipamentos essenciais.


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