Pequeno manual do freela feliz (Parte I)

Pequeno manual do freela feliz (Parte I)

Escrito por Criável

Como precificar, negociar, fechar contrato e até cobrar um pagamento atrasado

 

A gente sabe que a pandemia gerou uma verdadeira dança das cadeiras no mercado, e que muitos profissionais se viram atraídos (ou obrigados) a seguir uma carreira freela.

 

Segundo a Workana, a maior plataforma de trabalho freelance e remoto da América Latina, assim que a situação do Covid começou a se complicar na Europa, o número de pessoas se registrando em seu banco de profissionais cresceu nada menos que 50%, afirmando essa como a modalidade de trabalho “do futuro”.

 

Mas será que é tão fácil assim ser profissional autô[email protected] e, ainda por cima, em uma indústria tão competitiva como a Moda?

 

Nessa série de posts, nós dividimos algumas das nossas conclusões sobre o assunto. E essa é só a primeira parte, onde você vai aprender a colocar preço no seu trabalho, negociar jobs e fechar contratos e até cobrar pagamentos atrasados. Bora lá?

 

#1 Aprenda a precificar o seu trabalho

 

Esse com certeza é o drama número #1 das pessoas que começam a freelar – não só na Moda, mas em qualquer área da indústria criativa. Há, inclusive, tabelas espalhadas por aí em que você pode “calcular” mais ou menos o quanto cobrar. O problema é que essas estimativas nem sempre tem a ver com a realidade, e contar só com essa referência pode acabar te prejudicando.

 

Uma ideia melhor, por exemplo, é conversar com amigos de faculdade ou colegas de profissão e perguntar sinceramente quanto [email protected] costumam cobrar (ou pagar) pelo trabalho que você está tentando oferecer.

 

Isso não quer dizer que você vá acertar os seus valores de primeira. Com o tempo (e alguma experiência), você provavelmente saberá o quanto você demora para fazer cada tipo de serviço e terá mais claro o preço da sua diária ou da sua hora.

 

Não se preocupe tanto se você vai “espantar” possíveis clientes cobrando o quanto você acha justo, ou em se tornar “a opção mais barata” para fechar mais contratos.

 

Se o seu trabalho tem qualidade e você sabe onde se posicionar no mercado, você não só vai conquistar novos clientes pelo valor adequado, como vai poder fidelizá-los. 

 

Em outras palavras, tudo é uma questão de equilíbrio. Não adianta nada cobrar por uma experiência ou expertise que você ainda não tem. Mas, por outro lado, tampouco vale a pena menosprezar as suas entregas com preços muitos baixos, pois seus potenciais clientes certamente vão perceber a sua insegurança e te tratar de um jeito bem menos… profissional.

 

E atenção: Tudo bem cobrar mais caro pelo mesmo serviço como freela do que como profissional contratado. Afinal, você não tem férias, benefícios, nem a estabilidade da carteira assinada. Faz parte.

 

#2 Aprenda a negociar com os seus clientes

 

Beleza, você está fazendo tudo direitinho, sabe o quanto o seu trabalho vale, mas, mesmo assim, ainda recebe muitas respostas como “Nossa, a sua proposta está muito acima do nosso orçamento” ou “Você aceita receber metade do pagamento em permuta?”.

 

Bom, o que você precisa agora é aprender a negociar. 

 

Se a sua proposta está muito acima do orçamento, o que você pode oferecer pela metade ou por um terço desse valor e não perder a oportunidade de trabalhar com esse novo cliente? 

 

Se você conseguir flexibilizar as datas de entrega e tiver mais tempo no cronograma, sem comprometer a sua agenda, o job ainda vale à pena (mesmo que por um valor mais baixo)? 

 

Será que não faz sentido dar um desconto para o cliente e negociar 6 meses de contrato (e ter mais estabilidade financeira nesse momento)?

 

Até que você se estabeleça no mercado e possa se dar ao luxo de parar de prospectar clientes, o seu dia a dia com certeza vai envolver muito dessa “matemática”. Se o seu portfólio ainda é fraco ou se a sua agenda está livre, pode ser que fazer um job aqui e outro ali por um preço inferior (ou até uma permuta) te abra muitas portas. 

 

Isso, obviamente, não quer dizer que a gente ache ok você trabalhar de graça, tá? Pelo contrário, é só reler a dica #1. Porém, nessa carreira é importante aproveitar oportunidades, ser flexível, seguir a sua intuição e, quase sempre, negociar bastante até fechar o primeiro contrato com um novo cliente.

 

Outra coisa que você pode fazer é, ao enviar propostas, criar diferentes pacotes mais ou menos caros, com mais ou menos tarefas incluídas, ao invés de um único escopo (e um único valor).

 

Ah, vale lembrar que freelas também podem pedir aumento. Se você pegou um job fixo e depois de um tempo se deu conta de que ele está te custando muito mais tempo do que você imaginava, não tem problema nenhum tentar renegociar o contrato inicial.

 

O mais importante é se comunicar com transparência e cultivar relações saudáveis com os seus clientes para que sempre haja espaço para esse tipo de conversa.

 

P.s.: Negociação a gente faz (ou pelo menos formaliza) por email, nunca por Whats App. #ficaadica

 

#3 Aprenda a fazer contratos

 

Falando em contratos… É muito importante que você tenha o seu modelo e sempre registre os seus acordos detalhadamente – pelo menos até se certificar de que as empresas com quem você está trabalhando são honestas, organizadas e vão respeitar o que foi combinado direitinho.

 

Datas de pagamento, período de teste, cronograma de entregas, horas trabalhadas, número máximo de edições/ aprovações, “penalidades” para quebras de contrato (no caso de clientes fixos com pagamentos mensais); tudo isso deve constar nesse documento – que no mundo ideal deveria ser assinado por você e pelo cliente, viu?

 

E se você está pensado “ah, mas eu não aborrecer o cliente que eu acabei de conseguir com esses detalhes”, saiba que esse tipo de cuidado, de cara, já demonstra um baita profissionalismo e experiência. Ou seja, ainda por cima, pode pegar muito bem pra você!

 

Levar um calote como freela, infelizmente, não é tão raro assim. Empresas maiores costumam ser mais “seguras”, mas também dão seus furos. Melhor se proteger, tá? 😉

 

Aliás, uma dica muito boa é, em todo contrato, criar uma lista de “inclui” e “não inclui”. Reuniões semanais, número de posts, relatórios, pesquisas, enfim, tudo isso pode entrar na lista. Assim, toda vez que o cliente te pedir algo que ficou de fora do contrato, você vai se sentir à vontade para decidir se quer fazer de graça (porque talvez não dê tanto trabalho) ou se quer sugerir um novo acordo que inclua essas demandas.

 

É muito comum que empresas adotem a mesma postura que tem com os seus funcionários internos com seus colaboradores freela. Mas isso é, de certa forma, um problema, porque, a não ser que ela ofereça um contrato em tempo integral, a empresa não pode esperar ser uma prioridade na vida do profissional.

 

Também é importantíssimo lembrar que uma cilada bem clássica dessa vida de freela é, infelizmente, prestar serviços para amigos ou conhecidos sem um contrato formal. É uma situação super complicada que pode gerar, inclusive, muito desgaste emocional. Não importa o quão próxima essa pessoa seja de você: Se você não está fazendo de graça, no amor, assine um contrato antes de começar. Vai por mim.

 

#4 Não tenha medo de cobrar um pagamento atrasado

 

Se o cliente não pagou na data combinada, você tem todo o direito de cobrar. Não tem porque ser sentir [email protected] ou sem jeito. Envie uma mensagem clara e termine com uma pergunta objetiva como: “Você pode me dar uma previsão atualizada das datas de pagamento para que eu possa me organizar financeiramente?” ou “Você prefere que eu te envie um lembrete no dia do próximo pagamento?”

 

Porque acontece, gente. Como a gente disse disse ali em cima, há empresas desonestas, mas há também empresas que são só (muito) desorganizadas.

 

Ah, e se você está fazendo um trabalho que será entregue em, por exemplo, 3 partes e pago em 3 parcelas, a regra é clara: Se você entregou a primeira parte e não recebeu o primeiro pagamento, segura as outras entregas, ainda que isso atrase um pouco o calendário do projeto.

 

Resumindo: Se você detesta ter que cobrar as pessoas, pensa bem se essa carreira é pra você. Não é pra te desanimar, não. Mas pra você saber que isso pode acontecer com mais frequência do que você gostaria.

 

Curtiu esse conteúdo? Tava precisando dessa ajuda? Então se liga, porque na semana que vem a gente volta com a Parte II e muitas dicas sobre como se apresentar, se relacionar e conquistar clientes cada vez melhores. 😉

 

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