Porque Stella McCartney é a estilista mais importante da última década

Stella McCartney

Porque Stella McCartney é a estilista mais importante da última década

Escrito por Criável

Stella McCartney foi a primeira estilista na capa da Vogue

Não é exagero dizer que, dentro de alguns anos, os livros de moda trarão Stella McCartney ao lado de outros grandes nomes da moda, como Christian Dior, Coco Chanel ou Yves Saint Laurent. Primeira estilista a lutar declaradamente contra crueldade animal na indústria, tendo o veganismo como a sua principal bandeira, McCartney praticamente abriu o debate sobre sustentabilidade e moda no mercado de luxo, trazendo inúmeras inovações e encorajando outras marcas a fazerem o mesmo. 

Até hoje, sua marca é uma das poucas que parece perceber (e agir com coerência diante de)  um mundo em profunda crise e emergência climática. O resultado? Stella foi a primeira estilista a ilustrar uma capa da Vogue americana no lugar de uma modelo.

A escolha não poderia ser mais simbólica. Além de trazer uma mulher com seus quatro filhos para “abrir” uma edição que fala, sobretudo, em consciência e futuro; a revista demonstra que, em 2020, muito mais importante que “o quê” (roupas e looks) será o “como” (processos).

Por isso, escolhemos 7 momentos em que Stella McCartney foi a estilista mais admirável do nosso tempo.

#1 O fim dos casacos de pele

Filha de um dos maiores ativistas pró-vegetarianismo, seu desfile de formatura na Central Saint Martins, em 1995, já mostrava o seu desejo urgente por acabar com a crueldade animal na indústria. 20 anos depois, as marcas mais importantes do mundo começavam a fazer a transição para uma moda fur-free. É o caso da Gucci, Prada, Michael Kors, Armani e, mais recentemente, Chanel.

#2 Peles sintéticas de baixo impacto ambiental

Em 2019, a marca lançou uma pele sintética de baixo impacto ambiental, que desafia as faux furs tradicionais – feitas com plástico virgem como poliéster e acrílico – com uma versão, bem mais sustentável. Desenvolvido pela Ecopel com fibras DuPont Sorona, o novo material se chama Koba e tem 37% da sua composição a base de plantas, é 100% reciclável, tem a sua emissão de gases do efeito estufa reduzida em 63%, e o seu consumo de energia em 30%.

#3 Ativistas em campanha

Também em 2019, a estilista trouxe para protagonizar uma de suas campanhas ativistas do grupo Extinction Rebellion, conhecido por pedir uma mudança radical sistêmica e “atrapalhar” eventos que ainda estão na contramão dessa mudança, como a London Fashion Week. Embora o grupo incentive, por exemplo, o boicote a marcas de moda, a estilista escolheu não fazer dessas pessoas suas “inimigas”, mas trazê-las para perto, dando visibilidade à sua mensagem. Além disso, recentemente a marca criou o Stella McCartney Today for Tomorrow Award para premiar jovens ativistas que estão ganhando o mundo antes mesmo dos 25 anos.

#4 A cada ano mais sustentável

McCartney tem sido incansável no desenvolvimento de novas processos e práticas, trazendo, a cada semana de moda, mais novidades. Em seu último desfile, 75% dos materiais utilizados poderiam ser considerados eco-friendly, superando o desfile anterior e assim por diante. Além de nunca ter usado pele ou couro, a marca não descarta ou queima produtos antigos em estoque, usa energia renovável em seus escritórios e lojas, incentiva à compra de produtos de segunda mão e investe pesado em tecnologias verdes. 

#5 Cavaleira da Ordem

Em 2013, a estilista foi nomeada como uma OBE (algo como “Oficial da mais Excelente Ordem do Império Britânico) pelo seu trabalho na indústria da moda, recebendo reconhecimento real. 

#6 Educação para uma nova moda

Atualmente, a Stella McCartney oferece bolsas de estudo na Central Saint Martins, uma das escolas de moda mais importantes do mundo, para estudantes que aderem ao caráter ético da sua marca. Em entrevista à Vogue, a estilista argumenta que para fazer o que faz, precisou se envolver em uma “indústria agrícola de moda” e “olhar para o solo e para a biodiversidade” antes de tomar decisões, o que deixa tudo mais cansativo. Por isso, tem investido em educação, ajudando jovens designers a navegarem pela complexa relação entre moda e sustentabilidade.

#7 Transparência

É evidente que a marca deixa a desejar em alguns quesitos, mas nada disso precisa ser escondido. McCartney é uma das poucas estilistas do seu nicho que fala abertamente, por exemplo, sobre o impacto das marcas de luxo ser maior para o meio ambiente, em termos de escala, do que o do fast-fashion. Afinal, transparência e educação precisam andar juntas para que não só profissionais, mas consumidores, possam entender em que ponto estamos – e aonde precisamos urgentemente chegar.

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